Vamos criar uma discussão entre bailarinas sobre "Tudo o que sempre quisemos saber sobre a sapatilha de Ponta"? Quero contar com a colaboração de todas vocês com colocações e perguntas que podem ser resposdidas por mim ou por qualquer uma de nós, ok?
Nesta primeira postagem quero falar um pouco sobre "a hora certa de usar a sapatilha de pontas".
Eu acredito que o professor deve avaliar caso a caso as alunas antes de encaminhá-las para compra de sua primeira ponta. Algumas regrinhas são importantes ferramentas que podemos usar nessa avaliação.
- idade mínima: 11 anos completos
- tempo mínimo de ballet: 5 anos de ballet para alunas crianças; 1 ano de ballet para alunas adultas.
- requisitos técnicos: a aluna deve ser capaz de subir e sustentar sua meia-ponta alta; deve conseguir sustentar seu en dehors em 1a e 5a posição.
- requisitos físicos: todos os físicos podem dançar e subir na ponta. Cabe ao professor orientar algumas pessoas sobre possíveis problemas, caso a caso e cabe a essas alunas (se adultas) ou à mãe delas (se crianças) decidir se deve ou não dançar nas pontas. São alguns desses casos: pessoas com joanete; pessoas com hérnia de disco, lordose ou outros problemas de coluna; pessoas com unha encravada persistente, pessoas com osteoporose ou idade avançada e por fim pessoas com sobrepeso.
Quero lembrar e reforçar que o ballet clássico e o uso de pontas se bem direcionado não causa esses problemas, e sim, se a pessoa já os tem, podem ser agravados com o uso dessa técnica. Professora, pais e alunas devem conversar e avaliar cada caso!
Ballet clássico é uma arte e o uso de sapatilhas de pontas no ballet data de 1832*. Desde então muito foi desenvolvido no que se refere a tecnologia dos sapatos, a técnica do ballet, bem como o próprio corpo humano evoluiu e mudou.
Veja esta obra de Edgar Degas, datada de 1872 em Paris. Veja a diferença estética.
Edgar Degas
Dance Class at the Opéra
1872; detail; Musée d'Orsay, Paris
O que pode acontecer afinal se eu colocar as pontas antes do tempo?
Segundo Wanda Bambirra em seu livro "Dançar e Sonhar - a didática do ballet infantil", (...) "é anti-profissional exigir que uma criança com menos de 11 anos faça esforços como ficar na ponta dos pés. Esse equilíbrio só vai sendo adquirido com desenvolvimento, compatível ou resultante de um grau de mielinização aja adiantado. Mielinização é a deposição de mielina nas fibras nervosas, ou seja, quando um bebê nasce , ele tem reflexos nervosos, claro, mas não tem coordenação motora. Esta mielinização só se completa na puberdade, dos 10 aos 12 anos para meninas e de 14 aos 16 anos para meninos. (...)
O sustentar sobre as pontas não é somente uma evolução técnica, mas também uma adaptação do corpo a uma nova forma de equilíbrio, com a fortificação de ossos, tendões, ligamentos e músculos.
Para tanto, alguns exercícios são indicados para fortificar e preparar o corpo para o uso das pontas." Wanda Bambirra considera ainda que se uma pessoa iniciar na ponta sem antes ter sua qualidade técnica e idade adequada poderá no futuro sofrer lesões e deformações que ao contrário de torná-las bailarinas, acabam finalmente impedindo-as de dançar quando orientadas por maus profissionais, é claro.
Chegou a hora! Estou nas pontas! Você estudou, trabalhou duro, esperou e finalmente sua professora deixou você colocar a ponta. Parabéns!
Agora surgem muitas dúvidas, entre elas, como costurar a fita e o elástico, como amarrar a fita, como escolher a ponteira, a marca e o modelo da sapatilha ideal. Na próxima postagem quer falar sobre essas dúvidas todas.
Por enquanto quero focar numa dúvida técnica: como melhorar minha performance na Ponta?
Eu aconselho minhas alunas a fazerem uma série de exercícios em casa, descalças, todos os dias, ou ao menos 3 vezes por semana. São exercícios complementares às aulas de ballet que você já faz.
Veja a lista nesta outra postagem: http://oblogdoballet.blogspot.com/2009/10/10-primeiros-exercicios-para-fazer-em.html
* Taglioni: Rainha das Pontas: Marie Tagloni é a culpada pela primeira dança nas pontas. Mas ninguém sabe ao certo se foi ela mesma que em 1832 dançou pela primeira vez todo o “La Sylphide” nas pontas. É quase certo que outras bailarinas já tivesem dançado antes nas pontas, pois há referências em jornais antigos de bailarinas com “dedos fantásticos”. Pensam até que Maria Camargo a precedeu com um século de diferença. Mas o mérito todo foi mesmo para Taglioni, que desenvolveu a técnica e revolucionou o ballet. Ela criou a dança dos dedos, e transformou algo que antes parecia somente atração de circo em uma expressão artística e dramática através das técnicas dos pés. Sua graça, beleza, elevação e estilo ganharam público e favorecem uma brilhante carreira. Na Rússia, os fãs de Taglioni a amavam tanto que cozinharam suas sapatilhas e as comeram com salsa!!! Fonte: http://www.dicasdedanca.com.br/historia-do-ballet-referencias-importantes-para-a-danca-classica.html
Veja um pouco mais sobre a história da dança na minha postagem de 19 de fevereiro de 2010: http://oblogdoballet.blogspot.com/search?updated-max=2010-03-14T15%3A37%3A00-03%3A00&max-results=7
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quinta-feira, 19 de agosto de 2010
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