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domingo, 6 de junho de 2010

Profissionalização e DRT: quais os caminhos para se tornar bailarino profissional?

Quais os caminhos possíveis para se tornar um profissional de dança no Brasil?
- Formação em escola de ballet
- Ser "rata"de academia de dança
- Curso técnico de dança
- Faculdade de dança

A profissão do bailarino é regulamentada e exige o registro na DRT (delegacia regional do trabalho). Se quer atuar profissionalmente, o bailarino deve buscar seu DRT pois, apesar de não ser exigido em muitos lugares, em outros só será possível atuar se tiver esse registro. O DRT é emitido pelo ministério do trabalho mediante um atestado de capacitação profissional ou diploma. Esse atestado de capacitação é emitido pelo sindidança. Já o diploma profissionalizante é emitido por instituições como faculdades de dança e cursos técnicos na área. Mas, registros à parte, qual a melhor formação para ter chances reais no mercado de trabalho no Brasil e até no exterior?

Vou falar primeiro sobre Formação em Escola de Ballet:
Se seu sonho é ser bailarina (o) clássica essa é sua melhor opção. Você deve entrar numa escola reconhecida pela secretaria da educação. Lá você terá aulas com uma carga horária semanal obrigatória, (depende do curso e do nível e idade), fará exames anuais, receberá boletins e certificados. No final, terá um diploma válido, profissional e poderá pleitear seu DRT. Nesse tipo de formação você terá treinamento técnico suficiente para se tornar uma bailarina clássica, mas mesmo que passe em todas as provas, seu empenho, dedicação, físico apropriado e talento determinarão as direções da sua carreira. Se mora em uma cidade como São Paulo você pode escolher o método Cubano, o Royal, a Escola Municipal de Bailados. Se entrar na EMB (é necessário teste para isso) ou em alguma escola do método Cubano, fique até se formar, pois não poderá fazer algum tipo de equivalência de grau, terá que começar de novo em outro método. Já o método Royal tem filiais e associados por todo o mundo, ou seja, caso você mude de cidade ou até de país poderá encontrar uma escola e continuar sua formação de onde parou. Pessoalmente considero as linhas e o resultado técnico do método Cubano mais bonito e eficaz para o corpo brasileiro, mas aconselho a formação no Royal por ser mais organizado e reconhecido no mundo todo. Atenção: se a escola que você está realiza provas e dá certificado, procure saber qual a validade desse diploma.

Sobre Ser "rata" de Academia de Dança:
Quem mora ou morou no interior sabe que sua única opção, muitas vezes, é ficar metade do seu dia dentro de uma academia de danças fazendo tudo que lhe é oferecido: ballet, jazz, contemporâneo, alongamento, sapateado, dança de salão, hip hop, teatro e às vezes até aeróbica, ginástica olímpica e outros esportes. Esse tipo de trabalho corporal cria um bailarino eclético, capaz de atuar (se bem direcionado) em companhias de dança contemporânea, shows de artistas da música, musicais, televisão, publicidade etc. Porém, dificilmente terá a limpeza técnica necessária para ser um profissional de ballet clássico. Se esse for seu sonho, terá que dedicar-se em algum momento de sua formação exclusivamente ao clássico com algum renomado maitre de ballet. Mas se ama o contemporâneo busque cursos específicos, se ama o jazz, idem. Procure algo em que se aperfeiçoar. Uma excelente opção para esse bailarino é fazer uma faculdade de dança, por exemplo.

Sobre Curso Técnico de Dança:
É uma complementação técnica em Dança para quem cursou ou cursa o 3o ano do ensino médio. É um curso novo no Brasil. Esse tipo de curso não forma bailarinos, não dá o que as escolas e academias de ballet dão, mas oferecem um leque maior de possibilidades no mercado de trabalho. Para quem quer dar aulas, criar e tomar contato com a dança em diversas formas é uma excelente opção. Se você passou toda uma vida dançando em academia e participando de festivais de dança, essa parece ser uma boa opção de profissionalização para você! Veja o site da ETEC e informe-se!

Sobre Faculdade de Dança:
Oferece Diploma de curso superior, dá direito a DRT e possibilita (legalmente falando) a atuar em qualquer atividade de dança e relacionada a dança. Você poderá atuar como bailarina, coreógrafa, professora (inclusive da rede pública de ensino), mas claro, se for boa nessa ocupação...! Se você se formou nas outras opções acima, um caminho interessante será fazer a faculdade. Mas atenção: ela não forma bailarino, vc tem que procurar escolas e academias de ballet antes, durante e até mesmo continuar fazendo aulas depois. A Faculdade de dança abre as portas para diversas opções, estimula a pesquisa e você ainda pode seguir carreira acadêmica fazendo pós, mestrado, doutorado... Recomendo muito essa formação! Mas... se você não tem uma história séria de comprometimento com a dança ao longa da vida você talvez até consiga passar no vestibular e se inscrever no curso; porém quando for entrar no mercado de trabalho essa deficiência técnica fatalmente aparecerá e suas chances não serão muitas. Não se engane! Mais um detalhe: saiba se sua faculdade é reconhecida pelo MEC, e dá direito ao exercício da profissão. As principais faculdades de dança do Brasil são a UNICAMP, a UFBA, e a ANHEMBI. A PUC oferece um curso superior em "Artes do Corpo" também muito bom e reconhecido.

Em próxima postagem vou dar detalhes sobre o mercado de trabalho no Brasil.

Peço aos meus amigos e leitores do blog que postem suas contribuições nos comentários abaixo!

quinta-feira, 15 de abril de 2010

Como elevar suas pernas no Developpé

Há algum tempo eu conheci o trabalho da Australiana Lisa Howell, uma fisioterapeuta e professora de ballet especializada em treinamento físico de bailarinos. O trabalho dela é sério e muito bom, e boa parte está disponível gratuitamente em seu site http://www.theballetblog.com/ . Dá até para fazer download grátis de um tratado incrível sobre pontas, porém, tudo em inglês. Ela disponibiliza também muita coisa legal em seu youtube. Éla escreveu um artigo muito bom com dica de exercício para se fazer em casa para melhorar seu developpé. Eu achei extremamente eficiente e por isso traduzi para vocês, meus alunos e meus leitores do blog. No final vejam o video da Lisa Howell no youtube demonstrando esse exercício.
Aproveitem!

"Muitas garotas têm boa flexibilidade ao alongarem-se, mas encontram dificuldades de usar isso ao dançar, especialmente em um developpé. Se você simplesmente praticar esse passo repetidamente, o resultado pode ser coxas volumosas, sem um grande aumento na amplitude, na elevação da perna. Isso acontecerá se você estiver tentando usar a musculatura da frente da coxa, em vez de controlar a perna a partir do quadril.
Para trabalhar os verdadeiros músculos necessários para elevar a perna devant, deite-se de costas, com suas pernas esticadas e suas mãos no quadril.

Lentamente puxe o pé na posição de retiré (sinta o interior das coxas trabalhando!)

Certifique-se de que os quadris ficaram alinhados e não basculados ou torcidos!

Lentamente desenvolva a perna em um developpé controlando o quadril (sem deixá-lo mexer) e vá aumentando a altura da perna.

Não tente enganar flexionando a bacia, e sinta a perna muito mais leve, então conseguirá focar no alinhamento correto!

Desça lentamente a perna, certificando-se de utilizar seu abdominal para não arquear as costas!

Se você puder controlar a perna e a bacia bem em um developpé a 90 graus sem mover os quadris, você será capaz de alcançar uma altura muito maior de perna quando você deixar a bacia entrar no movimento (ela tem que começar a mover um pouco para cima). No entanto, se você estiver lutando para obter os 90 graus, você encontrará muita dificuldade em ir além deste ponto, a menos que você realmente se concentre na sua estabilidade!

Você pode também fazer isso em um developpé a la seconde (deitada de lado), mas certifique-se de que seus quadris fiquem bem alinhados do início ao fim. Você precisará girar a bacia ligeiramente no final do movimento, mas isso deve ser gradual e apenas tanto quanto você realmente precisar!

Se você praticar o seu developpé nesta posição, seus músculos aprenderão como a controlar a perna mais facilmente, e você vai descobrir que sua amplitude de perna melhora muito rapidamente! Em seguida, quando você praticar em pé, sentirá tudo mais familializado!

Boa sorte!"

Veja no youtube: http://www.youtube.com/watch?v=dxpbQLHuJg8

quinta-feira, 25 de março de 2010

Atividades de ballet para fazer em casa

As atividades que proponho a seguir podem ser usadas por mamães que querem brincar de ballet com suas filhinhas! Se sua filha convidou as amigas para brincarem na sua casa a diversão vai ser certa!!!! Professoras de baby class também podem se beneficiar dessas atividades!
Seria muito legal se você tiver alguns tutus, coroas e outros acessórios que as façam sentirem-se como bailarinas de verdade!

- Pé de palhaço, pé de bailarina, pé de pato: Sentadinhas em círculo, com as pernas estendidas flexionam os pés puxando os dedos para cima, chamamos de palhaço, esticando bem os pés empurrando os dedos para baixo chamamos de bailarina e girando os pés e pernas para fora chamamos de pato. Vou falando e fazendo junto: palhaço, bailarina, pato e elas vão fazendo também. Num determinado momento eu falo: "Pato" e faço "bailarina" com os pés. Todas "erram" aí eu digo: "mas eu falei pato" aí todas riem. Então explico que vou ficar "enganando" que elas têm que fazer o que eu digo. Aí a brincadeira vai longe... É possível, dependendo da idade que elas possam falar também, conduzindo a brincadeira!!! * Trabalha o fortalecimento dos pés e pernas, rotação "en dehors", atenção.

- Abre a gavetinha, fecha a gavetinha: Sentadas em roda, abre a gavetinha é borboletinha de ballet, fecha a gavetinha é esticar as pernas e as pontas dos pés. Vou falando e fazendo com elas "Abre a gavetinha, fecha a gavetinha". Como na brincadeira anterior, num determinado momento eu "erro". Aí explico que elas têm que seguir o que eu falo. Vamos fazendo até alguém errar. Então peço para todas abrirem a gavetinha e digo "Na minha gavetinha tem um ursinho, e na sua?"Aí a menina ao lado diz "Tem um ursinho e um lápis", A seguinte diz "um ursinho, um lápis e uma maçã" e assim vai até a última. Dependendo da idade, vou ajudando-as a falar. * Trabalha a abertura de quadril "en dehors", atenção.

-Siga o mestre: funciona como na brincadeira original, em fila todas seguem a da frente. Porém, com música clássica para ballet. A professora começa como mestre, sempre fazendo deslocamentos de ballet (skip, gallope, andar nas pontinhas etc.). Depois a professora sai e monitora a brincadeira, dando um tempo para cada um ser o mestre. Só valem coisas de ballet e danças em geral. Qdo vai trocar o mestre, eu páro a música, coloco a primeira em último lugar da fila e aviso para todas seguirem a "fulana". Tenho que interferir algumas vezes, pois algumas crianças são muito tímidas e não querem ser o mestre. Na primeira aula eu respeito a decisão dela; já na próxima incentivo sugerindo algum movimento. Elas todas têm uma tendência a "fechar" uma roda e deslocar muito rápido e acabam ficando tontas; eu interfiro sugerindo um deslocamento mais amplo nesse caso. * aumenta o repertório de movimentos, estimula a criatividade, o espírito de liderança e o trabalho em grupo.

- Articulações: Primeiro pergunto a elas: "Sabem onde fica o tornozelo? Onde é seu joelho?" Etc. Dependendo da idade, dou o conceito de "articulações, juntas". A brincadeira começa assim, eu falo "cotovelo", e elas devem segurar suavemente no cotovelo de uma amiga. Então coloco uma música clássica animada, um allegro, e todas devem dançar pelo cotovelo, ou seja, explorando as possibilidades de movimentação do cotovelo e dançando a partir do cotovelo. Depois falo "articulações dos dedos", elas seguram as mãoszinhas umas das outras e depois dançam inspiradas por essa articulação; assim vai indo até o momento que eu digo "Corpo inteiro" e aí é só olhar que divertido! * Trabalha o conceito de articulações, conhecimento e consciência corporal de si e em relação ao outro, improvisação e aumento do repertório de movimento.

Se quiser compartilhar suas atividades ou experiências com suas filhas ou alunas coloque abaixo que ficarei muito feliz!

Para exercícios para adultos veja minha postagem sobre os "10 primeiros exercícios para fazer em casa"

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

Introdução à história da dança - como surgiu o Ballet Clássico

Esta é a reprodução de uma apostila criada pela professora Renata Sanches a fim de acompanhar as aulas teóricas. Trata-se de um resumo simples que não substitui uma leitura aprofundada da História da Dança. Para saber mais, há uma bibliografia no final.

Nesta postagem vou me dedicar ao tema "Como surgiu o que conhecemos hoje por ballet clássico".


No Ocidente, a dança é uma arte que sempre esteve presente, mas que também sofreu restrições. Pensemos um pouco no período conhecido como Idade Média: a Igreja dominava os reinos e seus povos e seus dogmas estavam enraizados nas pessoas, que temiam quais consequências de seus pecados antes e após suas  mortes. O corpo era considerado a parte demoníaca do ser humano pela Igreja Católica. Havia uma separação entre corpo/ alma, mal/ bem que persistiu durante séculos. Então a dança, uma arte intimamente ligada ao corpo, demorou mais a se desenvolver do que as outras artes como o teatro, a música, a literatura, as artes plásticas.
No início da Idade Média existiam danças rurais e danças pagãs (praticadas pelo povo). Existiam também os dramas litúrgicos, uma espécie de encenação teatral das partes da missa. Aos poucos, alguns movimentos das danças populares foram sendo incorporadas nos dramas litúrgicos realizados pelo coro da missa. Com isso houve o desenvolvimento de corporações da comunidade responsáveis por fazer o figurino, criar os passos, treinar o coro, já sem ajuda do padre. Esse "coro" então saiu da igreja para encenar na porta da mesma (onde havia mais espaço). Logo houve a necessidade da criação dos palcos (palco de justaposição e palco móvel). Neles eram encenados os dramas semilitúrgicos (séc XII ao XV) e o drama da moralidade (séc XV... retomada da temática da Antiguidade Grega). A dança (como espetáculo), o movimento, faziam parte do drama. Existiam paralelamente as danças sociais, feitas pelo povo e pela nobreza para diversão. Essas danças não puderam ser abolidas pela igreja, então foram incorporadas e restringidas.
Na Itália, por volta de 1500, nos intervalos desses dramas litúrgicos haviam apresentações diversas, performances de artistas. Esses intervalos, chamados de "intermezzo" fizeram tanto sucesso que o povo ia ao drama litúrgico somente para assistí-los. A dança então foi vista pela primeira vez como arte, com dançarinos em cima do palco e a platéia assistindo. Surgem na Itália os primeiros tratados sobre dança, os primeiros mestres e os primeiros instrutores. Nessa época surgiu também o que chamamos hoje de "palco italiano".
A corte mais rica era a corte francesa e esta começou a levar os artistas italianos e suas idéias para a França. A Itália tinha as seguintes danças: brando, galliard, coranto, balli, quadrilha, contradança, entre outras. Os franceses então resolveram chamar estas todas de "ballet".
Quem mais contribuiu com a dança na França dessa época foi a rainha Catherine de Médici. Ela era muito poderosa e amava a dança. Surgiu então o "Ballet de Cour", ou seja, o Balé da Corte. O primeiro espetáculo foi o "Ballet Comique de la Reine" que começava às 10 da noite e terminava às 3 da manhã. Foi coreografado pelo italiano Baltasarini, conhecido na França por Beaujoyeulx. Esse espetáculo reunia dança, música e poesia sobre um tema de tragédia clássica. Com muito fausto, carros alegóricos e fantasias o balé italiano ganhou maior unidade dramática e os enredos medievais foram substituídos pelos da mitologia greco-romana. Mas tanto no balé abstrato quanto no balé dança dramática a forma criou sua linguagem própria, montada sobre uma série de posições e movimentos convencionais, de ensino rígido e aprendizado obrigatório. Muitos desses movimentos, que são como que o alfabeto ideográfico do balé, são conhecidos no mundo inteiro pelos nomes franceses: "pointe" = dançar nas pontas dos pés, "pas de deux" = dança a dois, "entrechat" = salto em que os pés cruzam no ar mais de uma vez rapidamente.
A estrutura dos Balés de Corte consistia em 2 partes distintas:
1- "Entrees" - parte profissional com um tema mais ou menos desenvolvido, coreografia complexa. Era realizada por profissionais e por membros da corte (que também ensaiavam).
2- "Grand Ballet" - parte social, dançada por todos os presentes, sem refinação coreográfica. Era uma grande improvisação com a participação do público.
Haviam 3 tamanhos de ballet: o "Ballet Royal", com 30 "entrées", o "Ballet Fino", com 20 "entrées" e o "Ballet pequeno", com 10 "entrées".
O Balé teve seu apogeu com o Rei Luís XIV. Este soube atrair os maiores talentos do reino para seus espetáculos. Pécourt e Beauchamp encarregavam-se das danças, enquanto Lully, violinista e bailarino, compunha a maior parte das músicas. Luís XIV fundou em 1661 a academia Real de Dança transformada em academia Real de Música e Dança (1669). O balé passou então, definitivamente da corte para o teatro. Consistia ainda em uma série de danças executadas ao som do canto e música com argumento mitológico. Os artistas eram sempre do sexo masculino, inclusive para papéis femininos. Em geral usavam máscaras e trajes que embaraçavam os movimentos e dificultavam a respiração.
A academia realmente importante foi a "L'Académie d'Ópera" (Ópera de Paris) criada por Jean Baptist Lully. Em 1681 Lully incluía pela primeira vez mulheres como bailarinas em sua obra "Triunfo de Amor". Não era comum mulher dançar pois era considerado coisa própria de homem. Os passos nessa época eram todos "a terre", isto é, baixos e sem saltos. Foi o grande bailarino Ballon que incorporou os grandes saltos à técnica rudimentar. Coube a Charles Louis Beuchamp elaborar as 5 posições dos pés, que até hoje continuam básicas, enquanto Raoul Feuillet realizou a primeira tentativa de notação da dança, com sua "coreografia" ou "arte escrever a dança".
O Rei Sol como era chamado Luís XIV era o solista- protagonista de todas as encenações lembrando que outros membros da corte participavam do Ballet junto com os profissionais. A sua morte tirou de cena os membros da corte. Com a morte de Luís XIV o balé tornou-se profissional e a Ópera de Paris converteu-se no centro mundial da dança durante todo o séc. XVIII.
Nesse momento surgiu a figura da primeira bailarina; elas tiveram papel muito importante para o desenvolvimento da dança, criando passos, mudando figurinos, melhorando a performance etc. Porém, nenhuma delas chegou ao estatus de "coreógrafa" ou "mestre de ballet". Marie Camargo criou o "entrechat à quatre", o "jeté" e o "Pas de basque", encurtou os vestidos até acima dos tornozelos, escandalizando as platéias, e calçou sapatos sem saltos!!! Marie Sallé aboliu o penteado alto e adornado, o corpinho justo e a saia balão: soltou os cabelos e vestiu uma espécie de túnica de musseline branca.
Uma figura importantíssima da dança do séc. XVIII foi Jean-Georges Noverre, reformador cuja obra principal (além de inúmeros bailados) foi "Lettres sur la danse ballets"(http://www.lubranomusic.com/cgi-bin/lubrano/11500), uma exposição de leis e teorias do balé, até hoje considerada a melhor do gênero.
Noverre foi o primeiro a argumentar que o balé não era um "mere divertissiment", mas uma obra nobre, destinada à expressão e ao desenvolvimento de um tema. Assim, foi o verdadeiro criador do "Ballet D'Action", ou balé dramático, onde toda a história se conta por meio de gestos e não pelo canto ou declamação. Noverre reclamava maior expressão integrada na própria dança, maior simplicidade e comodidade nos trajes, mais vastos conhecimentos para os "maitres-de-ballet" (especialmente de anatomia), a necessidade de um tema de fundo para cada balé e não meras danças esparsas e mecânicas. A esse tempo salientaram-se os grande bailarinos Gaetano Vestris e Augusto Vestris, também criadores de novos passos.
No final o séc. XVIII e início do séc. XIV surge o movimento "Romantismo" nas artes. Caracterizou-se pelo exagero, magia, emoção, imaginação, paixão, individualismo, originalidade. No teatro foi criado o "Melodrama". A peça "Os três mosqueteiros" é dessa época. Nesse momento ocorria a "Revolução Francesa" na política. A maioria dos ballets de repertório que conhecemos e encenamos hoje foram criados durante o Romantismo. Então, aquilo que chamamos de "ballet clássico" é, na verdade, um "ballet romântico", pois não é da época do Classicismo. Porém, o termo "clássico" é usado no sentido de uma coisa que tem valor por resistir ao tempo, algo "consagrado" pelo tempo.
Jules Perrot (1810- 1892) criou "Giselle" e "La Esmeralda"
Arthur Saint Léon (1821-1871) criou "La Fille de Mabre" e "Le Violin du diable" e "Coppélia"
Marius Petipá (1818-1910) criou "A Bela Adormecida", "Dom Quixote", "O Espelho Mágico".
Por volta de 1850, quando surgiu o Realismo e posteriormente o Naturalismo, o balé insistiu em manter o Romantismo. Com isso ele decaiu e é por isso dançamos até hoje coreografias românticas de repertório, pois estas representam o auge do balé.
Veja a seguir no you tube uma cena e documentário de 1972 com Yvette Chauvire Rudolf Nureyev Cyril Atanassoff in Giselle Scenes from acts 1 & 2 Paris Opera Ballet

http://www.youtube.com/watch?v=QQFujJbuppY



Bibliografia para História da Dança
Garaudy, Roger. Dançar a vida. Ed. Nova Fronteira. Compre: http://www.livrariaresposta.com.br/v2/produto.php?id=27574
Bourcier, Paul. História da Dança no Ocidente. Ed. Martins Fontes, 1987. Compre: http://compare.buscape.com.br/historia-da-danca-no-ocidente-bourcier-paul-8533614756.html

terça-feira, 19 de janeiro de 2010

Fotos dia a dia do curso de pas de deux/ pegadas


Júnior Gadelha e eu demonstrando aos alunos

tirando dúvidas...

olha aí o resultado: Júlia e Emerson arrasaram!


Ronaldo e Pamela



Renato e Cyntia



Pamela e Ronaldo

Cyntia e Emerson

Julia e Emerson

Cassiano e Maria Cecília


Eu e Ronaldo

Ieda e Rogério

Aninha e Emerson...

arrasaram...

...na apresentação final




Ieda e Fábio

domingo, 17 de janeiro de 2010

Curso de Férias - Pas de deux/ pegadas

Curso de férias: Pas de Deux/ pegadas - Com a professora Renata Sanches e bailarinos convidados
Data: 18 a 22 de Janeiro de 2010
Hora: das 20 às 21 horas
Local: Carla Lazazzera academia de dança. Alameda Itu, 167, sala 27 - fone 11- 3284-4473
Investimento: R$100,00 o curso ou R$25,00 a aula avulsa
Ainda temos vagas!

O curso é indicado para bailarinos e dançarinos de ballet, jazz, contemporâneo, tango e dança de salão interessados (as) em iniciar ou aprimorar suas capacidades para "pegadas".
No curso trabalharemos:
- enfrentando o medo
- explorando o contato
- descobrindo possibilidades de encaixes
- treinamentos de pegadas tradicionais/ específicas
- treinamento de piruetas para pas de deux clássico
- tirando dúvidas sobre movimentos que já faz

Quer levar o curso de Pas-de-Deux com a professora Renata Sanches e bailarinos convidados para sua cidade ou academia? Deixe seu e-mail abaixo em "comentários" que entrarei em contato.

Pas de deux - o que é?

Pas de deux - termo do ballet clássico que, em francês significa "Passo de dois". É o trecho do ballet dançado por um bailarino e uma bailarina. O Pas de deux completo é chamado de Grand Pas de deux ou  Grand Pas e é composto de um entrée, um adagio, variação masculina, variação feminina e a coda.
Veja um exemplo de Grand Pas neste video do Ballet Kirov que encontrei no You Tube para entender melhor:
http://www.youtube.com/watch?v=d1ZoNUr9rY4

Ao dançar com um parceiro a bailarina pode saltar mais alto, tomar posições que ela nunca seria capaz de sozinha, e "flutuar" sobre o palco. Uma parceira permite a um bailarino estender sua linha e mostrar sua força. No Pas de Deux, o homem, muitas vezes não está em uma posição balé ou parece não estar dançando em tudo. Ele pode fazer isso porque o público vai olhar quase que somente a bailarina; mas agora que você leu isso, tenho certeza que você vai assistir o homem da próxima vez que for para o balé para ver se é realmente verdade. O homem age como um "terceiro pé" para a bailarina, equilibrando, levantando, e girando-a.
Quatro grandes áreas de estudo técnico em pas de deux são: promenades, elevações ou "pegadas", giros ou "piruetas" e saltos, embora existam outros passos também. Uma promenade é quando a bailarina sobe em uma posição na ponta e o homem anda em torno dela, sustentando-a pela mão, fazendo-a girar. Uma promenade pode ser feita em uma posição e pode mudar durante seu curso. Você pode pensar que é muito simples de fazer uma promenade, quão difícil se pode andar por aí com alguém? No entanto, a bailarina deve se sustentar numa perna apenas, em equilíbrio e muitas vezes mantendo uma posição de attitude ou arabesque durante a promenade, e isso pode ser bastante difícil. Uma elevação é apenas o que diz: O bailarino levanta a bailarina. O número de elevações ou "pegadas" diferentes que podem ser feitas no Ballet é quase ilimitada. Um par de dançarinos pode fazer uma "pescada", onde o bailarino lança a bailarina no ar e a pega em uma posição de arabesque, coma perna de baixo dobrada, e com as costas em um enorme cambré,(parecendo-se com um peixe). Estas elevações são alguns dos movimentos mais inspiradores de balé e um dos mais exigentes. Ao fazer giros com um parceiro, é a mulher que o faz,  geralmente algum tipo de pirueta. Ao fazer uma pirueta comum com um partner, o bailarino vai estar  atrás da bailarina e ele vai ajudá-la a se estabilizar e também ajudá-la a girar, com as mãos na cintura dela. Ao fazer piruetas desta forma uma mulher pode fazer muito mais do que ela normalmente seria capaz sozinha. Saltos podem ser muito divertidos, cansativos, ou até assustadores, dependendo do tipo de salto que um casal está fazendo. Saltos comuns são aqueles onde a bailarina pula e o cavalheiro simplesmente ergue para fazê-la subir, não envolve muito risco, mas pode ser cansativo depois de um tempo. Estes saltos são normalmente usados como um aquecimento na aula e não realizado no palco. Alguns dos saltos mais arriscados seriam mais bem descritos como "salto e pegada". Estes seriam aqueles nos quais a bailarina salta sozinha para os braços do cavalheiro. Tais movimentos trazem sempre um suspiro da platéia.

Como o Ballet clássico é muito antigo, sua técnica dá base e inspira muitas danças, tanto acadêmicas como sociais ou populares. No contemporâneo temos duos, e outras formações (trios, quartetos, conjuntos) que usam pegadas. Para algumas, empresta-se a técnica do clássico, para outras, usa-se técnicas contemporâneas como por exemplo o contato-improvisação. Veja a seguir um vídeo do "Grupo Corpo" para visualizar melhor exemplos de pegadas utilizando técnicas clássica e contemporânea:
http://www.youtube.com/watch?v=R86vh-mWPdM&feature=related

Veja o Pilobolus dance theater:
http://www.youtube.com/watch?v=yPrgTV2hSTo&feature=related

E até onde eles podem chegar! Incrível!:
http://www.youtube.com/watch?v=1-6z9v05mDw&feature=channel


Dicas:
Para promenades: Equilibre-se sozinha e utilize do apoio do seu parceiro apenas para conduzir seu giro!
Para saltos: façam o plié juntos para conseguir a maior elevação!
Para piruetas: bailarina, fique no eixo sozinha! Bailarino: gire-a sem tirá-la do eixo!
Para pegadas em geral: utilize os encaixes que suas articulações proporcionam!
Lembre-se: eixo, sincronismo, encaixe são as palavras-chave!